Unificação da Língua Portuguesa
O “Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa” entre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) - Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste - entra em vigor à partir de janeiro de 2009, após o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, oficializando a adesão do Brasil, único país que faltava se posicionar para unificação da língua.
A explicação para a reforma é que o português é a terceira língua ocidental mais falada, após o inglês e o espanhol, e a quinta no mundo, com cerca de 230 milhões de falantes. O fato de ter duas ortografias atrapalha a divulgação do idioma e a prática em eventos internacionais. Sua unificação facilitará a definição de critérios para exames e certificados para estrangeiros.
Até dezembro de 2012, a grafia atual ainda é considerada correta e o idioma passará por um período de transição, quando os ministérios da educação, associações e academias de letras, editores e produtores de materiais didáticos recebem as novas regras ortográficas e podem, gradativamente, reimprimir livros, dicionários etc.
Veja o que muda:
Alfabeto: o alfabeto, que atualmente possui 23 letras, será acrescido de mais três: k, y e w.
Trema: será eliminado das palavras portuguesas ou aportuguesadas, como por exemplo, “lingüiça” que passará a ser grafada como “linguiça”. O trema será usado apenas em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros, como mülleriano, de Müller.
Hífen: mudança nas normas para o uso de hífen: a palavra “pára-quedas” passará a ser grafada como “paraquedas”, por exemplo. Entretanto, “microondas” (hoje sem hífen) passa a ter hífen “micro-ondas”.
Acentuação gráfica: não serão assinalados com acento gráfico os ditongos ei e oi de palavras paroxítonas, como “assembléia, idéia e jibóia”; assim escreveremos: “assembleia, ideia, jiboia”.
As paroxítonas terminadas em “o” duplo, por exemplo, não terão mais acento circunflexo. Ao invés de “abençôo”, “enjôo” ou “vôo”, os brasileiros terão de escrever “abençoo”, “enjoo” e “voo”.
Não se usará mais o acento circunflexo nas terceiras pessoas do plural do presente do indicativo ou do subjuntivo dos verbos “crer”, “dar”, “ler”, “ver” e seus decorrentes, ficando correta a grafia “creem”, “deem”, “leem” e “veem”.
Consoantes mudas: desaparecem também da língua escrita em Portugal o “c” e o “p” nas palavras onde estas letras não são pronunciadas, como em “acção”, “acto”, “baptismo”, “óptimo”.
Acento diferencial: desaparece, como em “pára” (verbo parar) e “pêlo” (substantivo).
Eliminação do “h” inicial de algumas palavras em Portugal, como em “húmido”, que passará a ser grafado “úmido”, igual ao Brasil.
Criação de alguns casos de dupla grafia para fazer diferenciação, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como “louvámos”, em oposição a “louvamos”, e “amámos”, em oposição a “amamos”.
Fonte: Banco de Dados da Língua Portuguesa - FFCLH USP (2007), Revista Isto É, Folha de São Paulo e Agência Lusa.